Diz o dicionário que dor é “sensação desagradável, variável em intensidade e em extensão de localização, produzida pela estimulação de terminações nervosas especiais”.
Dores físicas são curáveis, na maioria dos casos. Cansam, minam nossas energias, irritam. Quem nunca esbravejou contra uma dor de cabeça? Quem nunca vociferou por conta de uma dor de dente? E quem não quis chutar paredes, por conta de dores nas costas?
Dores físicas são irritantes.
Mas o dicionário fala, também em “sofrimento moral; mágoa, pesar, aflição”…
Essas dores são mais doloridas.
Porque doem na alma. Dilapidam a esperança. Confinam sonhos.
Essas dores são ainda mais dolorosas se forem dores de amor.
Quando o coração se põem a doer, não há remédio que cure.
E quem disse que só um novo amor para curar a dor do antigo, certamente já havia sobrevivido ao cataclisma do coração partido.
Aquele ferro em brasa que revira o peito, atiça as lágrimas e parece secar a alma.
Põe a alma a gemer e faz a gente pedir clemencia ao que já pode estar morto.
Se morre, doi. Doi muito.
Se agoniza, tira o fôlego e começa a doer como se o peito fosse triturado em medieval máquina de tortura.
Se sobrevive, se põe a doer enquanto busca a cura.
Nenhuma dor de amor é igual a outra.
Nenhum amor se parece com outro. Talvez por isso se possa amar tantas vezes numa mesma vida.
Mas amar doi.
Dores de amores, definitivamente, são um espetáculo de trucidação.
Trucidam a alma, esmagam o corpo, trituram os sonhos…
Enchem os olhos de lágrimas salgadas e tiram da vida a doçura.
E no amargor que depositam na boca, trazem o desconsolo.
E trazem a solidão…
E tudo isso doi.
Como a perda de um pedaço de nós – de corpo e de alma.
Cia. dos Blogueiros